Foi através da mestra de balé Eugenia Feodorova que ouvi pela primeira vez sobre a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Aos 14 anos, pisei tímida na maior sala de aula que já tinha visto na vida. Foi exatamente lá que passei os 7 anos seguintes, tendo aulas diariamente com minha eterna professora Galina Kravchenko. É um orgulho ter feito parte da primeira turma formada pela ETBB porque, das bailarinas que começaram comigo, fui a única que completou o curso até o final.
Depois de formada decidi ir para Áustria, onde aprimorei meus estudos de dança contemporânea na Sead (Salzburg Experimental Academy of Dance), com direção da ex-bailarina da Merce Cunningham Dance Company, Susan Quinn. Após 3 meses, achei que já era hora de voar mais alto e garanti meu primeiro emprego no Balett St. Pölten, tendo como ensaiador e coreógrafo Vaquil Usmanov e Tchoulpan Usmanova. Tive a oportunidade de dançar Le Corsaire (pas de deux) e Nutcracker em versão neoclássica. Com a ajuda da professora Shida Moubariakova, ganhei 3° lugar na Competicão Internacional de Dança da Áustria (ESDU) na categoria solo de repertório profissional com a variação de Dulcinea (Dom Quixote), sendo a única brasileira a subir no pódio no ano de 2009. Mais tarde, participei de produções do diretor Peter Breuer juntamente com o Salzburg Ballett e atualmente integro o Stadttheater Baden sob direção de Mátýas Jurkovics, ex-solista da Ópera de Munique.
Apesar de ter uma formação estritamente clássica, aprendi que o cenário da dança é dinâmico e, como bailarina, é minha obrigação saber um pouco de cada técnica e como me movimentar através delas. Meu prazer sempre foi dançar, não importa onde…tanto na Europa como no Brasil o frio na barriga é sempre o mesmo. Nunca fui a aluna preferida de nenhum dos professores, muito menos a melhor da sala. Lembro exatamente de um dia em que eu estava muito cansada e ao ver minha expressão de desanimo ouvi uma voz que disse: “Conheço várias bailarinas que se sobressaíram apenas depois de formadas e não eram as que ficavam no meio da barra, eram as dos lados. Dedique-se.”, palavras do meu professor de piano da época e atual diretor geral da Escola Bolshoi, Pavel Kazarian. Profissional pelo qual tenho grande carinho e admiração, e que coincidentemente traduziu minha trajetória.
Muita dedicação e paciência. A experiência vem só com o tempo e é ela quem traz à tona o artista que habita dentro de cada bailarino. Foquem seus objetivos e trabalhem sempre com amor. Muito sucesso a todos os alunos do Bolshoi e futuros bailarinos do mundo! Vocês trabalham com uma das melhores equipe de profissionais do país e da Rússia. Absorvam todos os ensinamentos possíveis para depois caminharem com as próprias sapatilhas…

No camarim, a bailarina Laís Pamplona faz maquiagem para espetáculo na Áustria.
Laís Pamplona
Ex-aluna da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil
Áustria, 2010